Desafios das eleições 2012 nas mídias sociais

A partir das lições da campanha de 2010, o que podemos preparar e esperar para o ano que vem?

A comunicação mediada por computadores assumiu o usuário como receptor interativo e viabilizou um ambiente com grande potencial para o debate democrático. Com o crescimento do Twitter e do Facebook, esse cenário parecia promissor durante o processo eleitoral de 2010. Mas, mesmo diante de uma nova dinâmica na comunicação, os candidatos valeram-se do formato palanque tradicional: Blogs e perfis se transformaram em coretos virtuais com discursos publicitários. No fim, a grande maioria dos envolvidos se perguntava: o que deu errado?

Com a iminência das eleições 2012, é hora de retomar essa questão.

“Senador, a internet já nasceu livre”

O alerta, feito pelo apresentador Marcelo Tas no Twitter dia 18 de março de 2010, foi direcionado ao então senador Aloízio Mercadante. O petista havia acabado de postar no YouTube um vídeo vetado pela Justiça Eleitoral para a TV. Também no Twitter, ele justificou: “Uso emenda que aprovei para assegurar a minha liberdade de expressão na internet”. A tal emenda era uma resposta à mini-reforma eleitoral feita às pressas com o objetivo de definir regras para a propaganda na rede. Entre outros despropósitos, a proposta original proibia qualquer site de veicular opinião favorável ou contrária aos candidatos.

Considerando as particularidades da web, a mini-reforma pareceu um ato quase desesperado para conter a potencial viralização de opiniões e informações comprometedoras e blindar os tais coretos virtuais. A partir dela, surgiu uma enxurrada de emendas com o incoerente objetivo de normatizar a internet e eleger os novos “mártires da liberdade de expressão”, título do qual se valeu Mercadante para involuntariamente se tornar motivo de piada no Twitter após o alerta de Marcelo Tas e a adesão de seus seguidores.

O prejuízo revelado por esse episódio, entretanto, não tem a menor graça. Ele escancara todo o despreparo das lideranças políticas para lidar com as novas ferramentas de exercício da democracia. Na rede, as posturas pessoais vazias definidas como “isentas” ou “conciliadoras” denunciam discursos limitados por alianças, coligações e interesses políticos futuros, esses sim bons motivadores para uma reforma eleitoral consistente – urgente e necessária – que não aconteceu. Nesse contexto de representações, o então candidato à presidência pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, conquistou uma condição de destaque ao estimular discussões a partir de denúncias e pontos de vista polêmicos próprios de quem entrou na disputa sem nada a perder.

A revolução que não aconteceu – no Brasil

Infelizmente, o uso da internet como veículo de propaganda, sem o objetivo da mobilização, do debate e do compartilhamento, é um engano que provavelmente será repetido nos próximos pleitos. O “censo” mais recente, realizado pela comScore, indica que 99% dos usuários que acessam internet no Brasil também entram em redes sociais. Mas, à medida que elas crescem, a participação dos políticos parece se recolher.

O isolamento do evento “eleições 2010”  não apenas delimita a nossa análise, mas também denuncia a ausência de continuidade: Após os resultados das urnas, a maioria dos candidatos suspendeu o convívio com os internautas. No Twitter da presidente eleita Dilma Roussef, por exemplo, a última mensagem foi postada no dia 13 de dezembro de 2010. Curiosamente, dizia: “Amigos, muito legal ser tão lembrada no Twitter em 2010. Logo eu, que tive tão pouco tempo para estar aqui com vocês. Vamos conversar mais em 2011”. Mais tarde, o perfil foi assumido por hackers.

Na internet, uma campanha pode ter começo e meio, mas jamais ter fim. Afinal, quando se pertence a uma mídia social por definição, não existe afirmação sem relacionamento. Muitos dos candidatos que sumiram certamente vão voltar em 2012, certos de que a força que elegeu Barack Obama nos Estados Unidos pode se repetir no Brasil por ser apenas uma questão de tempo, não de cultura.

Vale considerar que, mesmo nos meios offline, as campanhas eleitorais americanas não ficam concentradas apenas nos meses que antecedem a votação. Em primeiro lugar, são os eleitores que escolhem os candidatos, e não os partidos. Obama utilizou a internet para conversar com a população por quase 20 meses até ser eleito, e continuou aproveitando a rede não só para fazer campanha, mas para governar. “Temos muito trabalho a fazer para colocar nosso país de volta nos trilhos, e eu estarei em contato em breve sobre o que virá depois” – foi a mensagem enviada aos eleitores por e-mail logo após a vitória. Ao contrário de Dilma, ele permaneceu constante no relacionamento e hoje faz parte da elite de influência no Twitter, com mais de 11 milhões de seguidores de todo o mundo, incluindo os políticos brasileiros que não fizeram a lição de casa.

Ao avaliar o sucesso da estratégia na internet logo após a eleição, o New York Times afirmou que os grupos de interesses especiais e os lobistas foram confrontados com um ambiente de transparência e, daquele momento em diante, teriam um presidente que nada lhes devia. “Barack Obama compreendeu que poderia usar a internet para baixar os custos de construção de uma marca política, criar um senso de conexão e de acoplamento, e dispensar o método de controle e comando do governo para permitir que as pessoas pudessem se auto-organizar para fazer o trabalho”, afirmou ao NYT o advogado Ranjit Mathoda, investidor e tecnólogo que mantém o famoso blog Mathoda.com. A matéria foi veiculada no dia 9 dezembro de 2010.

Convergência midiática, consumo e cidadania

Quem encerrou a reflexão sobre a estratégia de Barack Obama na reportagem do NYT foi Andrew Rasiej, fundador do Personal Democracy Forum, uma conferência anual sobre a interseção entre política e tecnologia: ”Sim, nós nos encontramos com o Big Brother, aquele que está sempre observando. E Big Brother somos nós”, afirmou. A referência de Rasiej traz a idéia de narrativa transmidiática e cultura participativa proposta por Henry Jenkins no livro “Cultura da Convergência”. O autor utiliza reality shows americanos como Survivor para explicar que o tipo de conhecimento adquirido pela audiência desses programas é impossível de ser reunido em uma só pessoa.  Para ele, a idéia se contrapõe ao paradigma do expert: Na era da convergência midiática, a inteligência coletiva é predominante. Trazendo para a perspectiva política, o velho álibi do “candidato mais experiente e mais preparado” perde a força.

Pode parecer inadequada a comparação de reality shows com processos de decisão e debate político, exceto se compreendermos o consumo como um processo de exercício da cidadania que “constrói parte da racionalidade integrativa e comunicativa de uma sociedade”, como teorizou Castells. Resta às lideranças políticas a participação efetiva para compreender que as grandes mudanças anunciadas são essencialmente socioculturais e não apenas tecnológicas.

Sobre a vinda da Apple para o Brasil

O interior de São Paulo está em polvorosa com a possibilidade de receber uma filial da Apple, que seria a única unidade de produção fabril da marca na América Latina.

So cool!

É um momento histórico para nerds applemaníacos e para usuários comuns que nem sabem por que são applemaníacos.

“Interface? Não sei o que é… Mas a maçãzinha dá status, né? Vê uma aí!”

“Até que enfim o Pai Jobs olhou para nós!”, eles oram, em ação de graças.

Com um Deus desse, ninguém precisa do diabo.

1) Tudo indica que o Brasil é uma opção de mão-de-obra com melhor custo-benefício: pão, circo, CLT, sindicados petistas de direita e boca fechada. A Foxconn, que fabrica os produtos da Apple na China, e atua no Brasil com a Sony e a HP, não está dando conta dos problemas trabalhistas em terra asiática. Operários chineses são demitidos intoxicados pra pagar esse iPhone que você está usando aí. E eu nem contei os que já se mataram por conta da exaustão.

2) Mas agora, no Brasil, a empresa vai gerar empregos, trazer desenvolvimento e ser socialmente responsável. Você vai poder consumir seu iPhone com menos dor na consciência. Sacrificando menos chineses e corroborando o ideal tucano paulista da proliferação de técnicos-em-eletrônica-felizes-que-vão-poder-comprar-seus-próprios-iPhones-à- prestação. Mais-valia, a gente sempre viu por aqui mesmo. E os cérebros continuam na sede americana. Puta negócio.

3) O mercado vai aquecer. Produtos da Apple 15% mais baratos. Se vc não podia comprar seu iPad por R$1.500,00, agora vai poder comprar por APENAS R$1275,00.

4) No fim, se as taxas de importação no Brasil não fossem tão ridículas, continuaríamos torcendo pro chinês se ferrar. Como uma classe média legítima, aficcionada por love brands mesmo sem poder consumi-las. Bons coloniais que somos, ainda nos sentimos honrados em receber a filial de “uma das maiores empresas do mundo” aqui.

BRASIL!

Saiba por que você deve sua sanidade a Tim Berners-Lee

Você já se pegou desejando uma internet mais veloz? Na próxima vez que esse sentimento tomar conta de você, passe o mouse sobre o indicador de conexão local no canto inferior direito da sua barra de tarefas. Logo vai aparecer o número de bits que sua conexão é capaz de transferir por segundo. A unidade de medida pode estar em:

- Kbps (Kilobits por segundo)

- Mbps (Megabits por segundo, ou seja, 1024 Kbps)

- Gbps (Gigabits por segundo, ou seja, 1024 Mbps)

Seja qual for o número que você encontrar, neste momento levante as mãos para o céu e agradeça por ser um usuário da internet no século 21 e não na década de 80. Nessa época, a web propriamente dita ainda não existia, mas já era possível acessar dados à distância no Brasil por sistemas como o Videotexto da Telesp, em uma velocidade média de… 1,2 kbps!

Impaciência criativa

Agora, tente se colocar no lugar do físico Tim Berners-Lee, que trabalhava em um laboratório de pesquisas nucleares na Suíça. Já devia estar no limite da paciência, coitado! Trabalhar em frente a um monitor de tela preta e letrinhas verdes, especialmente projetado para destruir sistemas oculares, esperando, esperando, esperando… 1kbps por segundo…

Qualquer um de nós teria surtado e detonado o computador com uma machadinha – já que a máquina ainda era pesada demais para ser jogada pela janela. Mas Lee, inconformado, resolveu agir e, no início de 1989, apresentou uma proposta para facilitar a navegação pela rede. Nascia a World Wide Web, que evoluiu rapidamente: logo ganhou uma interface gráfica e passou de um sistema hipertexto para um sistema de hipermídia completo.

Se hoje você está na CampusParty e gostaria de agradecer alguém pela conexão de 10Gb, não é o presidente da Telefonica que você deve procurar. É o palestrante que estará logo mais no Palco Principal ao lado de Al Gore.

Se você não está no evento, assim como eu, #ficadica: http://tv.campus-party.org.br

E viva TIM BERNERS LEE!

Por Silvia Ferreira Postado em Sem categoria

#SMVP2010 – A palavra é: INSPIRAÇÃO

Cobertura do evento no blog. Devo falar sobre as últimas novidades do mercado de mídias sociais, certo?


Dessa vez, não. Nenhuma cobertura técnico-informativa seria capaz de reproduzir com fidelidade a atmosfera 2.0 em offline mode que tomou conta do Social Media Vale do Paraíba 2010.

Nada de ternos, gravatas, formalidades, protocolos e regras. Um evento livre, como a internet. Interativo, como as mídias sociais. Não havia hierarquias, altar e nave, especialistas e leigos. Havia apenas uma rede de compartilhamento riquíssima, cheia de diferenças, níveis de conhecimento, experiências e virtudes complementares.

O que me encanta na proposta desses encontros é exatamente o que me encanta no mundo digital: criatividade, compartilhamento, entretenimento. Mídias sociais não podem ser pensadas como rodadas de negócios. Claro, a mensuração é importante, o ROI é importante, mas a métrica pressupõe conquista. A linha tênue que separa o prognóstico do resultado é justamente a falta de estratégia: se os gestores de mídias sociais não forem “legais” por natureza, jamais poderão compreender o público e atingir seus objetivos. A relatividade do “ser legal” determina o nicho. Qual é o seu?

Considerando o meu nicho… Como tinha gente legal no SMVP 2010! Dos mais esperados palestrantes, como o @tiagoleifert, aos mais engraçadinhos trolladores, como o @_feliperaphael, a palavra de ordem era A ARTE DO BOM HUMOR – sem dúvida, o conteúdo mais relevante da humanidade.

Com raras exceções, não predominou a chatice da auto-promoção e do marketing pessoal full time que anda infestando a postura de alguns teóricos do academicismo digital. Gente que diz saber a receita, mas não interage. Não trolla para o bem, não comenta o BBB. Não pega rodada de chopp, não mistura samba com rock e não perde tempo com a hashtag inútil que está nos TT’s. Em outras palavras: se recusa a compreender a lógica humana, sociológica e antropológica que orienta o movimento da web.

Catarse. Os internautas clamam por liberdade de expressão, pelo direito ao ócio criativo, pela risada no meio da tarde pra abater um pouco da angústia de informação. Quem não entender isso vai continuar com ações quadradas, sem inspiração pra desenvolver campanhas que realmente façam a diferença. Vai entrar na avenida com a escola de samba tecnicamente perfeita e politicamente correta, sem emocionar o folião.

Por isso, pra mim, essa tal INSPIRAÇÃO foi a principal lição do SMVP 2010. Obviamente, todos os cases de sucesso apresentados no encontro tinham um objetivo monetário, mas só superaram expectativas porque se levaram menos a sério, postura própria de quem vive a vida intensamente – online e offline. Lembrando que isso não diminuiu em nada a credibilidade dos projetos e de seus autores: Os dois prêmios em Cannes do @ianblack não deixam mentir.

Como nem tudo são flores, sempre vem o fantasma das contas a pagar. Dispensar uma balada por falta de grana é equivalente a se entupir de clientes pra fechar o balanço do mês. E quando essa passa a ser principal preocupação, a inovação vai ficando de lado, a criatividade vai sendo engolida pelo relógio.

Viver intensamente não é fácil, não é só uma questão de escolha, como pode parecer. Temos limitações e eu voltei pra casa disposta a vencê-las. O casal trabalho duro e inovação está sempre brigando, precisamos apimentar esse relacionamento sem poupar esforços. Que possamos seguir rindo a cada tropeço – sem esquecer de postar no You Tube, claro.

Parabéns a todos – organizadores, palestrantes e participantes – foi um prazer inenarrável estar com vocês, trollar com vocês, me inspirar com vocês! Que venha o #SMVP2011 :)

UPDATE 21/11 20:30 RT @PensadoresFalam “A originalidade precisa ser a expressão do pensamento ou da aspiração universal para ter valor” #JoaquimNabuco

Promessa cumprida + Marketing Online + Marketing Offline = Produto Sustentável

Eu levanto a bandeira do marketing digital e acredito na sua força a ponto de oferecer campanhas demonstrativas gratuitas para um cliente incrédulo. Mas só faço isso quando confio no produto ou serviço que ele tem a oferecer, pois antes de pensar como profissional de comunicação preciso que pensar como consumidora, baseada nas minhas experiências offline. Toda experiência de consumo é offline, já que sensações e sentimentos não estão conectados à internet.

Por isso, quando digo que o consumidor do ambiente digital é diferente e precisa ser conquistado com estratégias diferentes, não estou dizendo que o marketing tradicional é menos importante. Não canso de ressaltar que o pressuposto máximo de uma campanha, seja qual for o meio utilizado para propagá-la, deve ser a VERDADE. Se essa virtude nortear os quatro P’s – produto, preço, promoção e praça – dificilmente uma marca não vai se consolidar no mercado.

Foi assim que reconheci a força de um produto sem precisar de nenhuma campanha faraônica no horário nobre da TV, nem relatórios de métricas ou índices positivos de ROI (Retorno o Investimento).

Certo dia, procurei na prateleira do supermercado uma boa marca de café. Gosto de consumi-lo à exaustão, apreciar aroma e sabor, mas preciso ter cuidado para não me surpreender com uma bela gastrite. Por isso, opto por cafés mais fracos e fujo das versões extra-fortes, o que de certa forma impede o usufruto pleno desse prazer diário.

Como de costume, escolhi uma marca conhecida e já havia definido minha compra quando encontrei uma promotora de vendas do Café Pilão Intenso entre os corredores. A promessa do produto: um ponto de torra acentuado, que proporciona um sabor mais forte e encorpado. Aparentemente, resolvia meu problema. Degustei, gostei e troquei de marca. Era um pouco mais caro, mas o valor agregado de fato valia a pena.

Vejam como uma ação de marketing totalmente comum e simples determinou a minha compra. Se tivesse visto uma propaganda na TV, um folder ou uma campanha na web, não acreditaria na promessa, pois essa não é a primeira vez que um café me oferece a vantagem de ser mais gostoso, encorpado e acessível. No entanto, todas as experiências anteriores foram negativas: sem verdade no produto e no preço, a promoção e a praça não conseguiram me fidelizar.

Os amantes do café geralmente o relacionam a dois momentos antagônicos: O momento de estresse e sono, no qual a bebida simboliza resistência, e o momento marcado pelo prazer de uma boa companhia e uma boa conversa. A equipe de marketing responsável pelo novo produto foi certeira ao relacionar a intensidade do café à intensidade do momento positivo em que ele é consumido. O slogan da campanha é: “mais forte e encorpado para marcar seus momentos”. A campanha busca atingir o consumidor em um contexto de receptividade para inserir o produto em seu cotidiano. A estratégia é brilhante: simples e certeira. Não houve nenhum estalo criativo surpreendente e exótico, apenas um bom conhecimento do mercado e um planejamento bem feito, focado nas expectativas do consumidor e no uso adequado dos diferentes canais de divulgação.

Digo isso porque me certifiquei que a estratégia de marketing digital está complementando muito bem as demais estratégias. Digitei “Café Pilão” no Google e um merecido hot site da nova marca apareceu em primeiro lugar. O hot site, na verdade, é um blog com um ótimo design e fundado no princípio da relevância: ao invés de discorrer exaustivamente sobre as qualidades e vantagens do Café Pilão Intenso, os posts falam sobre uma diversidade de momentos e coisas marcantes e trazem receitas especiais. São assuntos marcantes não porque são exóticos, mas porque fazem parte do cotidiano do público-alvo. Tudo devidamente integrado com as redes sociais mais qualificadas, Twitter e Facebook, e alinhado com um concurso cultural que mexe com a emoção das pessoas: compartilhamento de momentos marcantes em um scrapbook digital que pode ser criado com facilidade.

Agora vamos analisar algumas métricas disponíveis: o Café Pilão é uma marca forte, de dimensão nacional. Mas até agora há “apenas” 434 scrapbooks publicados no hot site e um Twitter com pouco mais de 800 followers, apesar de a ação ter começado no dia 11 de junho* 23 de dezembro de 2009 (data do primeiro tweet). No Facebook, há aproximadamente 130 pessoas curtindo a marca. Você pode me perguntar: Se eu estou falando de uma campanha tão boa assim, porque meus amigos não estão recomendando? E por que o café Pilão Intenso ainda não foi parar nos Trending Topics?

Com as informações que tenho disponíveis, posso opinar aqui sobre algumas oportunidades de melhoria e vou discorrer sobre elas logo adiante, mas esse não é meu objetivo. A equipe que desenvolveu a campanha também tem acesso a esses dados e a outros ainda mais relevantes, e com certeza é composta por profissionais suficientemente qualificados para conduzir o processo. Minha única intenção é mostrar que o marketing digital requer uma paciência adicional para atingir resultados, pois está fundado no relacionamento, algo que não se constrói da noite para o dia.

Quem busca resultados de longo prazo não pode ter pressa: O Café Pilão Intenso é um produto criado para fazer parte da vida das pessoas assim como o Café Pilão tradicional, líder no mercado brasileiro desde 1978. Não se trata de uma edição especial e limitada, logo o esforço de marketing para manter a presença da marca não precisa ser tão concentrado e ávido por resultados. O que mais conta é o esforço no desenvolvimento do produto, que primeiro precisa se auto-sustentar pelas qualidades que possui. O trabalho de marketing da indústria brasileira de café começou há 30 anos, quando ajudou os consumidores a compreender as qualidades que deveriam ser consideradas em um café e ensinou-os a gostar da bebida antes de empurrar suas marcas.

O setor foi responsável pela “catequização” do seu próprio mercado quando percebeu, na década de 80, que o consumo per capita do brasileiro havia caído de 4,72 Kg/ano para 2,27 Kg/ano. Na ocasião, a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) lançou um selo de pureza para combater a crença de que o todo o café comercializado no Brasil era fraudado para beneficiar a exportação do café puro – razão identificada para a queda no consumo. Graças à ação, hoje o brasileiro consome duas vezes mais café.

Antes de se combaterem entre si, as marcas se uniram para combater um inimigo comum. Já pensou se cada uma delas fizesse um marketing individual apressado para tentar superar a crise? Teríamos hoje um mercado dilacerado e descrente. Os produtores de café estão em crise, mas essa é uma questão política do agronegócio e não cabe nesta análise.

A história toda me inspira a acreditar que a campanha do Café Pilão Intenso nas redes sociais ainda será um grande sucesso. Como não exige um volumoso investimento em verba de mídia e o feedback de números e pessoas é imediato, o marketing digital oferece a possibilidade do testes permanentes, tornando possível corrigir falhas e acionar planos-reserva até atingir os objetivos desejados. A imagem abaixo representa bem a evolução de uma campanha como essa:

Para dar andamento ao fluxo natural de altos e baixos, gostaria de fazer três sugestões:

1) Aprofundar o relacionamento com followers do Twitter e fãs do Facebook: Há muitos webchatos que compartilham informações irrelevantes, mas a função desses canais é o compartilhamento de momentos e coisas marcantes, ou seja: há uma rede inesgotável de pessoas e possibilidades para explorar a interação com o consumidor por meio de RT’s, replies, sugestões e aplicativos. Além disso, os usuários podem servir como pauta para o hot site.

2) O prêmio do concurso cultural não é atrativo. Quem adere à promoção concorre a uma participação no comercial de TV da Pilão Intense. Outro prêmio adicional, abordado apenas no regulamento e não descrito nas peças de divulgação, é um kit de produtos Pilão – o que pra mim, pelo menos, é muito mais interessante do que a participação no comercial. As pessoas preferem prêmios materiais, que lhe tragam algum benefício. Ter fama sem nenhum retorno não interessa, a não ser que os selecionados recebam um cachê gordo pela participação, o que não está previsto.

3) Investir mais em otimização de buscas. Quando digito “Café Pilão” no Google, o hot site do Café Pilão Intenso aparece em primeiro lugar. Mas quando digito apenas “café”, a marca não dá as caras, nem mesmo nas expressões destacadas pelo Google Suggest. Também tentei “café diferente”, “sugestão de café”, “melhor marca de café” e outras palavras-chave que não mostraram a marca Pilão em nenhum momento. Vale contratar uma empresa especializada em SEO (Search Engine Optimization) para realizar esse trabalho.

Para cumprir meu papel de e-consumidora entusiasta, já fiz minha postagem no Twitter recomendando o café, já estou seguindo o perfil @pilaointenso no Twitter e já curti a marca no Facebook. Se você quiser ajudar a construir uma campanha de sucesso, pode fazer o mesmo – mas não antes de provar e aprovar. Todos nós queremos apenas VERDADE!

*Update 03/08

Corrigindo: De acordo com a equipe gestora do Twitter @pilaointenso, a campanha oficial do produto na rede social começou no dia 11 de junho. O primeiro tweet do perfil tem a data do dia 23 de dezembro porque o mesmo endereço foi usado para ações da marca Pilão Sabor de Verão. Sorry, pessoal!

Mídia Social é relacionamento, o próprio nome já diz. Não insista em falar sozinho.

“A comunicação de massa acabou”, sentenciou o diretor de comunicação da Coca-Cola, Marco Simões, durante o evento Digital Age 2.0, realizado em 2007. Três anos se passaram e a previsão está cada dia mais plausível.  Embora traga seus resultados, a propaganda no horário nobre da TV Globo não tem o mesmo peso de antigamente, exceto pelo trabalho das marcas que abraçam recursos interativos com ajuda da internet. Não há como negar: a palavra de ordem é RELACIONAMENTO, já que não basta apenas comunicar.

Pensando assim, não parece incoerente a infinidade de artigos sobre o assunto disponíveis na internet? Afinal, não há relacionamento sem naturalidade. Por que se disseminam tantas receitas supostamente milagrosas sobre uma questão que pressupõe fluência?

Na verdade, a maioria das idéias sobre mídias sociais registrada na web tenta promover uma reflexão sobre a importância dessa naturalidade em um mercado que possui a cultura da autopromoção tão arraigada nos projetos de comunicação e na postura de seus gestores. Nesse sentido, consideramos o CONTEÚDO RELEVANTE como princípio fundamental do relacionamento. Devemos despertar nas pessoas a identificação com nossos VALORES. É fundamental trabalhar com individualidades e, quando falamos em clientes e consumidores, o trabalho compreende entender o PERFIL DO MERCADO e tentar chegar até ele a partir do que temos de melhor. Não somos nós a vitrine dessas qualidades, mas sim a nossa REDE SOCIAL, quando bem articulada.

Agir com naturalidade, então, significa investir dinheiro em um projeto sem planejamento, sem métrica, sem medida de ROI (Retorno sobre o investimento), uma espécie de tiro no escuro, com fé? Definitivamente, não. Assista a esse vídeo e se convença de que, na era do “Socialnomics”, sua presença digital só será ineficiente por dois motivos: ou a estratégia escolhida é equivocada ou você preferiu resistir e acompanhar isso tudo do lado de fora.

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Por Silvia Ferreira Postado em Sem categoria

Acompanhando a mudança de percepção do consumidor: seduzir ou engajar?

Já parou para admirar a criatividade dos comerciais de bonecas? Tem aquelas que mamam de mentira. Vêm com uma mamadeirinha que faz o “leite” sumir, até parecer que o bebê tomou tudo. Uma graça. Outra tem um buraquinho pra fazer pipi, e acompanha o peniquinho. Se apertar o pezinho, a sem educação solta até barulho de pum. Lembram-se da Acqua Baby? Nasceu murcha, pra encher de água morna e simular o calor humano.

Seduzir as crianças parece fácil. Muitas vezes, é suficiente apresentar fantasias que alimentam a vontade de ser gente grande mantendo as cores, doces e cantigas da infância. À medida que a maturidade vai chegando – o que acontece cada vez mais cedo – a fórmula vai deixando de funcionar. O calor humano, o pipi e o leitinho voltam a ser apenas água. Menos ingênua e com o senso crítico aguçado, a ex-criança toma posse do poder de escolher e interferir na construção das marcas que vai consumir. Já não aceita mais ser ludibriada pela emoção.

Essa mudança de percepção própria da infância hoje acontece também na idade adulta dos novos consumidores. Antes da revolução social causada pela internet e pela abundância de alternativas que marca o século XXI, as pessoas eram vistas pela publicidade com o mesmo olhar que seduz os olhos da criança indefesa. Hoje, quem insiste nessa estratégia, inevitavelmente tende a perder o freguês.

A palavra de ordem é relacionamento. É conteúdo relevante. É engajamento. Com uma infinidade de opções, precisamos encontrar sentido naquilo que consumimos, e esse princípio costuma ser muito mais determinante do que as sensações e a utilidade do produto em si. O vídeo seguinte traduz, de uma maneira muito interessante, como se processou toda essa mudança. Assista, compreenda e se entenda nesse meio!

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Por Silvia Ferreira Postado em Sem categoria

O jornalista na era do conteúdo relevante: temos o que comemorar!

Redes sociais, internet, propaganda interativa… Os recursos que garantem o sucesso das mídias digitais estão em pauta em todos os veículos de comunicação. Até aqui, o mercado navegou por múltiplas tecnologias, formatos e filosofias de trabalho, como a supremacia do design sobre o conteúdo, por exemplo. Por muito tempo, a máxima “uma imagem vale mais do que mil palavras” roubou a cena entre os profissionais de marketing.

Nesse cenário, a figura do jornalista foi considerada a mais arcaica da comunicação social: “parou no tempo”, insistiu nas matérias mais completas, nas grandes reportagens. Em outras palavras, tentou continuar cumprindo o papel que lhe cabia: informar com foco no interesse público. Tentar dizer a leitores, telespectadores e ouvintes o que eles realmente queriam e precisavam saber.

Claro, podemos dizer que comunicação também é negócio e nem todos os profissionais são assim. Mas quem é jornalista conhece a luta diária para que essa missão seja cumprida diante dos prazos apertados e da pouca disponibilidade de recursos. São limitações que muitas vezes prejudicam não só a qualidade do produto final, mas também desestabilizam o ideal de vida que nos levou à escolha da profissão. Fizemos essa opção mesmo sabendo das condições adversas. E continuamos tentando cumprir o nosso papel, todos os dias.

Para quem não desiste, como eu, aí vai uma boa notícia: Não somos mais “os incompreendidos”. Nosso foco de trabalho ganhou outro nome e ocupou o centro das atenções. Hoje, a “informação de interesse público” é chamada de “conteúdo relevante”. Para o novo marketing, isso significa trabalhar sobre quatro pilares que garantem o retorno de audiência: engajamento, entretenimento, conhecimento e prestação de serviço.
Alguma novidade? Esses quatro pilares sempre estiveram na nossa listinha de critérios de noticiabilidade, aquela análise subjetiva do que vale a pena entrar no jornal ou não. Alguns aprenderam esses critérios na faculdade, outros simplesmente os tinham arraigados na natureza de ser jornalista. Como o Google não indexa pixels ou bytes, mas sim palavras, nosso espaço está garantido no futuro da web.

A má notícia é que muitas agências digitais nasceram levantando a bandeira da modernidade, mas ainda são resistentes a esse cenário. A máxima agora mudou: beleza atrai, conteúdo convence. O consumidor da era digital é diferente e o chamado e-branding não pode ser focado na auto-promoção. De nada adianta marcar presença em blogs, sites, redes sociais e dispositivos móveis transmitindo uma avalanche de informações institucionais e incoerentes. Se elas não estiverem de acordo com aqueles quatro pilares – relembrando: engajamento, entretenimento, conhecimento e prestação de serviço – a estratégia de divulgação pode até ganhar fôlego, mas não se sustentará por muito tempo. Quem continuar “desprofissionalizando” seu conteúdo vai ficar pra trás.

* Texto publicado no BlueTalk, no Comunique-se, no AdNews, no Portal Administradores e no Observatório da Imprensa :)